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Santos Juninos

SANTOS JUNINOS

Por Mayara Gomes Louzada

Você sabe quem são os santos das festas juninas e o porquê os comemoramos?

No mês de junho celebramos três santos: Santo Antônio – dia 13, São João Batista – dia 24 e São Pedro – dia 29. São os famosos santos juninos.

Santo Antônio

Santo Antônio de Joaquim Manuel da Rocha
Santo Antônio – Joaquim Manuel da Rocha

O primeiro desta lista é Santo Antônio, o santo casamenteiro. Nascido em 15 de agosto de 1195 com o nome de Fernando, foi o único herdeiro de um nobre do clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo. Teve uma infância calma até entrar para a vida religiosa, na ordem de Santo Agostinho.

Inicialmente manteve-se em certa solitude, preferindo a companhia dos livros e de seus estudos, até que encontrou um grupo de franciscanos em Coimbra. Os frades franciscanos estavam indo até o Marrocos para pregar, viagem que costumava ser sempre complicada, e, como se esperava, nenhum deles voltou com vida. Fernando, movido pela coragem dos jovens frades, decidiu se juntar à Ordem Franciscana e mudar seu nome para Antônio – em homenagem à Santo Antão. Antônio, que desejava se tornar um mártir, foi para o Marrocos.

Logo após chegar na África, fica muito doente e é obrigado a voltar para casa, mas a volta é interrompida na Sicília, quando seu barco é surpreendido por uma grande tempestade. Passando o tempo, Antônio foi recobrando sua saúde e resolve participar da assembleia geral da ordem de Assis em 1221, onde conheceu pessoalmente São Francisco, seu mestre.

 

Antônio se tornou um grande orador, arrastava multidões, até chegar em Pádua onde converteu um número extraordinário de pessoas. E foi para lá que voltou quando, em 1231, sua saúde começou a piorar, resultando em sua morte no convento de Santa Maria de Arcella, aos 36 anos. Seu enterro foi feito na Igreja de Santa Maria Mãe de Deus e algum tempo depois seus restos mortais foram mandados para a basílica de Pádua, como era de sua vontade, e onde até hoje está sua língua, incorrupta. O processo de canonização de Santo Antônio é considerado o mais rápido da história, começando meses após seu falecimento e sendo terminado em menos de um ano.

 

Seu trabalho com os pobres o fez se tornar seu protetor, além de ser conhecido como o “santo casamenteiro”. Uma moça não tinha dote para o casamento e, por isso, foi pedir ajuda a Santo Antônio. Teria, então, caído da imagem um bilhete, em cima de um prestamista – uma pessoa que empresta dinheiro a juros – onde pedia que ele entregasse à moça uma quantidade de moedas de prata que condissesse com o peso do papel. O prestamista colocou as moedas em um lado de uma balança, com o papel no outro, e a balança só ficou equilibrada quando as moedas somaram o valor necessário para o dote. 

 

Santo Antônio é também conhecido como o “santo dos Milagres”, com uma lista extensa de milagres a ele atribuídos, mesmo em vida. Recebeu o Menino Jesus dos braços de Nossa Senhora, ingeriu comida envenenada sem que nada ocorresse com ele, bilocação, curou um menino paralítico, entre outros tantos.

São João

O segundo santo do qual falaremos é São João Batista. Celebramos o santo no dia 24 de junho, dia de seu nascimento e também de seu martírio. Ele é, possivelmente, o mais conhecido dos três santos juninos, e por isso em alguns lugares tem-se o costume de chamar as festas juninas de São João.

 

João Batista alimentando um cordeiro - Caravaggio
João Batista alimentando um cordeiro – Caravaggio

Nascido na região montanhosa de Judá, João era filho de Zacarias, um sacerdote de um templo de Jerusalém, e Santa Isabel, prima de Maria. Seu nascimento foi um milagre! Isabel já era de idade e nunca tinha tido um filho, sendo considerada por todos como estéril. Até que o anjo Gabriel aparece a Zacarias, enquanto o homem estava no templo, e lhe diz que sua esposa estava esperando um filho seu, como conta o evangelho de Lucas: “Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chama-lo-ás João.” (Lucas 1,13)

 

Simultaneamente, o anjo também aparecia a Maria, para contar-lhe que tanto ela quanto sua prima estavam grávidas. Ao chegar, Isabel sentiu o bebê se agitar no seu ventre e, percebendo estar na presença do Messias, faz a saudação que ficaria marcada para todo o sempre: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lucas 1,42)

 

João viveu sua vida recolhido, morando no deserto, pregando e batizando, daí ser chamado de Batista; e foi ele quem anunciou a vinda do Salvador e o batizou, antes que Jesus começasse sua vida pública. João foi, também, o último dos profetas de Israel.

 

Por ser mais desafiador, João acusava todos aqueles que julgava estarem cometendo atos incorretos, não poupava ninguém, nem mesmo o rei. João denunciava a vida imoral de Herodes, rei da época, que tinha se unido a sua cunhada.

 

Salomé, filha de Herodes, foi quem pediu ao pai a cabeça de João Batista em uma bandeja. E assim, morreu aquele que foi chamado por Jesus de “maior entre os nascidos de mulher”. (Mateus 11,11)

São Pedro

As lágrimas de São Pedro - Jusepe de Ribera
As lágrimas de São Pedro de Jusepe – Ribera

Nascido Simão, em Betsaida, um vilarejo nas margens do Mar da Galiléia. Era filho de Jonas e irmão de André, e os apresentou a Jesus, que futuramente se tornariam apóstolos. Era pescador, trabalhava com seu irmão André, no Rio Jordão, e morava em Cafarnaum quando conheceu Jesus.

 

“Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens.” (Lucas 5,10) Este foi o chamado de Jesus a Pedro, aquele que antes pescava peixes, começa a ser pescador de homens para o reino de Deus, e assim Pedro começou a seguir Jesus.

Pedro foi o primeiro papa, a pedra inicial da Igreja, como disse Jesus ao mudar seu nome.

 

“Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que sou?

Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!

Jesus então lhe disse: Feliz é, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

(Mateus 16,15-19)

 

Pedro tem a missão de ser líder da Igreja, é o Príncipe dos Apóstolos, um homem simples, pescador, que recebeu o Espírito Santo e se tornou dispersor da Palavra. Depois de Pentecostes, Pedro reunia multidões para falar de Jesus. Pedro tinha o dom da cura, como conta o Ato dos Apóstolos, e escreveu duas cartas do Novo Testamento, sobre a Igreja nascente. Por ter sido a pedra inicial, o primeiro a ter ganhado a autoridade e a missão, diretamente de Cristo, todos os papas que se seguiram são seus sucessores.

 

São Pedro foi, também, um mártir. Por diversas vezes foi preso, inclusive numa das vezes foi salvo da prisão por um anjo enviado por Deus, e foi para Roma tomar a frente da Igreja que estava crescendo mesmo com as perseguições que sofria. Até que os romanos o prenderam uma última vez e o condenaram à morte de cruz. Porém, Pedro não se sentia digno de morrer da mesma forma que Cristo, e então pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. O lugar de sua morte é onde hoje está o Vaticano, e seus restos mortais ainda se encontram no altar da Igreja de São Pedro.

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